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Diabetes

Melhorar a Adesão ao Tratamento

 

Introdução

A Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou, em 2007, a existência de uma nova epidemia mundial…a diabetes.

No ano 2000, a OMS estimava existirem 177 milhões de portadores de diabetes, em todo o mundo. Para 2025, a previsão é a de que essa população atinja quase o dobro: 350 milhões de diabéticos. Segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2012), no ano de 2010 a prevalência da diabetes era de 12,4 % da população, com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a um total de aproximadamente 991 mil indivíduos. Como consequência, o número de amputações dos membros inferiores, decorrentes desta patologia, continua a apresentar valores elevados no nosso país. Só em 2010, 1622 doentes foram submetidos a amputação do membro inferior (Sociedade Portuguesa de Diabetologia, 2012).

Grave…não lhe parece?

Como em todas as doenças crónicas, uma boa educação sobre a doença e compreensão das vantagens do tratamento e da adesão ao mesmo, motiva mais os doentes a cumprirem com o regime terapêutico, diminuíndo o número de complicações resultantes da patologia. Isto torna-se ainda mais importante numa doença como a diabetes, na maior parte do tempo assintomática, no entanto, longe de ser inofensiva…

Então, o que é a Diabetes?

O termo diabetes mellitus (DM) engloba um conjunto de doenças do metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares). Esta alteração é devida a uma insuficiente produção de insulina, resistência à ação da mesma ou as duas combinadas.

A alteração na função da insulina leva a um aumento anormal da glicose (açúcar) no sangue…ou seja, leva à hiperglicemia.

Neste imagem, estão apresentados os principais sintomas da diabetes:

Diabetes descontrolada - sintomas

Existem diferentes tipos de diabetes:

  • Tipo 1;
  • Tipo 2;
  • Diabetes gestacional;
  • Outros tipos específicos de diabetes devidos a causas como:
    • Defeitos genéticos na função das células beta (células produtoras de insulina);
    • Anomalias genéticas na ação da insulina (alteração do recetor da insulina, por exemplo);
    • Doenças do pâncreas exócrino (aparecimento de diabetes após pancreatite, por exemplo);
    • Induzida por fármacos ou agentes químicos (os corticóides são o grupo principal).

Torna-se relevante diferenciar, sucintamente, dois dos subtipos da diabetes mellitus (DM).

Assim, a DM tipo 1 resulta da destruição das células beta dos ilhéus de Langerhans do pâncreas, levando à ausência de produção de insulina por parte do organismo. Nesta doença, é indispensável o tratamento com insulina para assegurar a sobrevivência. Na maioria dos casos, a destruição das células dá‐se por um mecanismo auto‐imune, pelo que, muitas vezes se denomina diabetes tipo 1 auto‐imune. Contrariamente à diabetes tipo 2, a diabetes tipo 1 aparece com maior frequência nas crianças e nos jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos. Não está diretamente relacionada, como no caso da diabetes tipo 2, com hábitos de vida ou de alimentação errados, mas sim com a manifesta falta de insulina. Os doentes necessitam de tratamento com insulina para toda a vida, porque o pâncreas deixou de produzir, devendo ser acompanhados em permanência por profissionais de saúde.

Por seu lado, a DM tipo 2 é a forma mais frequente de diabetes, cerca de 90% de todos os casos, e resulta da existência de insulinopenia relativa (dimuição parcial de produção de insulina), com maior ou menor grau de insulinorresistência (resistência do organismo à sua ação).

Devido à resistência do organismo à ação da insulina, o pâncreas vê-se, assim, obrigado a “trabalhar” cada vez mais, até que a insulina produzida se torna insuficiente e o organismo tenha cada vez mais dificuldade em absorver o açúcar proveniente dos alimentos, levando ao aparecimento de diversas complicações. Este tipo de diabetes aparece normalmente na idade adulta, muitas vezes associado a obesidade, principalmente abdominal, a hipertensão arterial e a dislipidemia (aumento do colesterol e triglicerídeos) e o seu tratamento, na maioria dos casos, consiste na mudança de estilo de vida, com introdução de dieta adequada e atividade física regular.  Quando esta referida mudança de comportamento não é suficiente, torna-se necessário recorrer a medicação específica e, em casos mais graves, recorrer à utilização de insulina.

Como é efetivamente diagnosticada esta patologia?

Diagnóstico da diabetes

Para o diagnóstico de insulina, pode utilizar-se um de quatro parâmetros:

a) Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl (ou ≥ 7,0 mmol/l); b) Sintomas clássicos + glicemia ocasional ≥ 200 mg/dl (ou ≥ 11,1 mmol/l); c) Glicemia ≥ 200 mg/dl (ou ≥ 11,1 mmol/l) às 2 horas, na prova de tolerância à glicose oral (PTGO) com 75g de glicose; d) Hemoglobina glicada A1c (HbA1c) ≥ 6,5%.

O diagnóstico da patologia numa pessoa assintomática não deve ser realizado na base de um único valor anormal, devendo ser confirmado numa segunda análise, após uma a duas semanas. É aconselhável usar o mesmo parâmetro para a confirmação. No entanto, se houver avaliação simultânea de glicemia de jejum e de HbA1c, se ambos forem valores de diagnóstico, este fica confirmado, mas se um for discordante, o parâmetro anormal deve ser repetido numa segunda análise.

É possível então constatar que o diagnóstico desta patologia, por si só, constitui um problema, na medida em que se trata de uma doença muitas vezes assintomática. Como já referido, o problema de falta de sintomas não se cinge apenas à deteção da doença, mas também a um problema ao nível da adesão ao regime terapêutico. No caso dos diabéticos, um dos aspetos relacionados com a não adesão, nomeadamente no que se refere à adoção de medidas preventivas das complicações crónicas, é a frequente ausência de sintomatologia, o que conduz a uma menor perceção da gravidade da doença e suscetibilidade a complicações.

Adesão ao Regime Terapêutico

Doenças crónicas - adesão ao tratamento é fundamental

A adesão ao regime terapêutico em doenças crónicas ronda os 50% nos países desenvolvidos e é ainda menor nos países em desenvolvimento (dados da OMS).

O fenómeno da adesão define-se como o grau ou extensão em que o comportamento da pessoa, no que se refere à toma de medicação, ao seguimento de uma dieta ou à alteração de hábitos e estilos de vida, entre outros, corresponde ao que lhe é recomendado pelos profissionais de saúde. Recentemente, surgiu o termo adesão parcial que se refere a situações em que o doente não manifesta uma adesão total. Exemplo desta situação surge quando o doente faz a medicação, mas na dose ou em horário incorreto. A adesão parcial pode ser intencional e acontece frequentemente numa fase mais aguda da doença (e.g. quando se sentem pior tomam a medicação e, ao contrário, quando não há sintomatologia, ignoram o tratamento). A adesão parcial não intencional é mais comum em idosos e crianças e é causada pelo esquecimento da dose prescrita (causa mais comum), pela confusão nos esquemas de tratamento e/ou rótulo impreciso.

De fato, a adesão ao regime terapêutico é um foco de atenção por parte dos profissionais de saúde. Com o avanço da medicina, há uma diminuição da taxa de mortalidade global e um gradual envelhecimento da população, contribuindo para um aumento da incidência de doenças crónicas, como a diabetes. O aparecimento de uma doença crónica implica, frequentemente, a modificação dos hábitos de vida e também a necessidade de recorrer a tratamentos. Muitas vezes, a pessoa não é capaz de integrar estas mudanças no seu dia-a-dia, resultando daí riscos acrescidos para a sua saúde.

A não adesão foi reconhecida pela North American Nursing Diagnosis Association como um diagnóstico de enfermagem, em 1973. É evidenciada como a principal causa para o aumento da morbilidade, mortalidade e redução da qualidade de vida nos diabéticos.

Apesar da população estar mais interessada no aparecimento de tratamentos inovadores, com melhores resultados que os já existentes no controlo da doença, os diversos estudos mostram que um aumento da adesão é a intervenção a nível dos cuidados de saúde que maior impacto poderá ter na diminuição das complicações de doenças como a diabetes. Sem este aumento de adesão, não interessa quão avançadas sejam as soluções existentes, pois nunca conseguiremos tirar o seu proveito máximo.

Efetivamente, as variáveis envolvidas no fenómeno da adesão são muitas e difíceis de medir. No entanto, podemos referir que esta é influenciada por fatores relacionados com:

  • A doença;
  • A pessoa/doente;
  • O tratamento;
  • Fatores sociais, económicos e culturais;
  • Fatores relacionados com os profissionais e serviços de saúde.

A questão essencial para tentarmos contrariar a tendência da não adesão passa pela educação para a saúde. Esta deve constituir parte essencial da prática de todos os profissionais de saúde. O seu principal objectivo é ajudar o doente a adquirir conhecimentos, capacidades, atitudes e valores favoráveis ao seu desenvolvimento físico e psicológico. Atualmente, uma das condições primordiais para que alguém mude determinado comportamento, é que esteja munido dos conhecimentos necessários sobre “O que mudar” e “Porquê” .

O tempo em que os profissionais de saúde “impunham” tratamentos e alterações de estilo de vida acabou…hoje em dia, os doentes são chamados a discutir as melhores soluções para controlar a sua doença.  Daí a importância cada vez maior da relação entre o profissional de saúde e o doente, no sentido de aumentar a adesão ao regime terapêutico pretendido. A qualidade da comunicação e da relação estabelecida é crucial para o sucesso.  A forma como se transmite as informações relativas ao tratamento, para que este possa ser seguido corretamente e sem desistências é um pilar fundamental.

Para que tal se evidencie, o profissional e o doente devem estabelecer uma relação na qual coexistam os dois níveis de saber: crenças leigas e crenças profissionais, interagindo numa “díade” em que a comunicação influencie a adesão, expectativas e decisões do doente.

Seja ou não profissional de saúde, ficam algumas dicas importantes na relação profissional de sáude-doente, de forma a melhorar a adesão:

1. Os doentes devem ser apoiados e não “culpados”, quando não aderem ao tratamento.

O contrário continua a ser a norma nos dias de hoje, com uma tendência a colocar o ónus apenas no doente ou nos fatores com ele relacionado. É necessário indentificar e melhorar os problemas do prestador e do sistema de saúde que diminuem a adesão. Estes têm igualmente um grande impacto na não adesão ao tratamento por parte do doente.

2. Para doentes diferentes, estratégias diferentes.

Adequar as intervenções ao doente é fundamental. Não existe um tipo de intervenção milagrosa que aumenta a adesão ao tratamento. No entanto, sabe-se que para melhorar a adesão, os profissionais de saúde precisam inicialmente de identificar se existe ou não adesão e quais as causas que poderão estar a potenciar este problema.

3. A motivação não é igual em todas as pessoas.

A adesão é um processo dinâmico, muito dependente da motivação dos doentes. Para melhorarmos a adesão o doente são necessárias intervenções adaptadas ao seu nível de motivação. Se o doente não estiver motivado a aderir ao tratamento, o papel do profissional de saúde passa por aconselhar e informar o doente da importância do tratamento e acompanhar de forma regular como está a progredir em termos de motivação e adesão, sem o culpabilizar.

4. O profissional de saúde é apenas uma peça do puzzle.

A família, a comunidade e as diferentes organizações de saúde são fatores chave para melhorar a adesão ao tratamento. A existência deste suporte formal e informal mostrou aumentar de forma consistente o comportamento dos doentes em relação à necessidade de aderir ao tratamento e controlar a sua doença, diminuíndo mesmo o tempo dispendido pelos profissionais de saúde para controlar a doença.

5. Uma abordagem multidisciplinar é fundamental.

Uma abordagem multidisciplinar mostrou claramente aumentar o controlo de doenças crónicas como a diabetes. Todos os profissionais de saúde devem auto responsabilizar-se para melhorar o controlo da doença e o sistema de saúde deve adaptar-se nesse sentido.

A PT Medical aposta na comunicação e na relação entre o profissional de saúde-doente, não só no sentido de melhorar a sua satisfação relativamente aos serviços prestados, mas também a eficácia da intervenção.

Se precisar de ajuda, lembre-se que estamos aqui para o ajudar…acima de tudo, queremos melhorar a sua saúde.

  – Bruna Silva Enfermeira –

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