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Dieta Sem Glúten...Existe Alguma Vantagem?

 

Dieta Sem Glúten…Existe Alguma Vantagem?

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada. Pode estar presente em muitos produtos, como massas, a maioria dos tipos de pão, bolos e na cerveja. Além disso, devido à produção de outros produtos alimentares nas mesmas fábricas, não é incomum produtos sem glúten estarem contaminados com esta proteína.

Não consumir glúten é uma obrigatoriedade para pessoas que tem intolerância ao glúten, uma doença que atinge cerca de 1% da população. Por essa razão, existem os alimentos com o rótulo “sem glúten”, por forma a que as pessoas que sofrem desta doença consigam identificar os produtos que podem comprar.

No entanto, devido à promoção realizada por diversas celebridades mundiais, a dieta sem glúten popularizou-se. Neste momento, cerca de 12% da população americana faz uma dieta com restrição de glúten. Segundo as crenças existentes, baseadas exclusivamente em testemunhos, as pessoas têm mudado para esta dieta para perder peso, sentirem-se com mais energia, tratar doenças como o autismo ou sentir-se mais saudáveis na globalidade.

É importante referir que não existe qualquer evidência científica que pessoas saudáveis beneficiem de dietas pobres em glúten. Não existe qualquer ligação do glúten com o surgimento do autismo e a sua evicção certamente não melhora os sintomas do autismo. Não existe qualquer benefício em suspender a ingestão do glúten para tratar doenças. Eventualmente, para quem tem sintomas gastrointestinais como síndrome do intestino irritável, dispepsia funcional, flatulência excessiva, tentar uma dieta restritiva em glúten poderá ajudar a melhor os sintomas. No entanto, a evidência que existe acerca deste tema é muito ténue.

Além disso, os produtos sem glúten são mais caros, tornando-se uma despesa desnecessária para a maioria das pessoas.

Recentemente, um novo estudo sugeriu que seguir uma dieta pobre em glúten – de menos de 4 gr por dia – pode aumentar em 13% o risco de desenvolver diabetes tipo 2, comparativamente às pessoas que seguem uma dieta rica em glúten.

O estudo é da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Os cientistas acompanharam, durante 30 anos, 200 mil pessoas e analisaram os seus hábitos alimentares. Verificou-se que as pessoas que tinham um menor consumo de glúten tinham também um menor consumo associado de fibras. Os investigadores referem que será, possivelmente, este consumo menor de fibras que leva ao aumento do risco de diabetes. Ou seja, não foi a falta de glúten, propriamente dita, que elevou o risco de diabetes, mas sim o que as pessoas comiam em sua substituição.

Concluindo, se acha que tem intolerância ao glúten, deve falar com o seu médico. Caso não tenha intolerância ao glúten, mas pensa que o glúten poderá estar a causar algum tipo de desconforto gastrointestinal, poderá experimentar alimentação sem glúten durante algum tempo, para ver se os sintomas melhoram. Mas lembre-se…o glúten é um bom nutriente. A maioria dos alimentos ricos em glúten são também ricos em fibras e vitaminas, principalmente do complexo B. A sua evicção é indesejável, excepto em casos específicos.

Os médicos apenas aconselham dietas sem glúten a doentes intolerantes, até que exista evidência científica que indique o contrário.

– Dr. João Júlio Cerqueira  Especialista de Medicina Geral e Familiar – 

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