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Leites Adaptados e Fórmulas Infantis

Leites adaptados e Fórmulas para lactentes:

A classificação leite ou fórmula depende do fato da fonte proteica estar respetivamente na dependência exclusiva das proteínas do leite de vaca ou não.

Existem 3 grupos de leites:

  • Leites para lactentes;
  • Leites de transição;
  • Leites de continuação.

Leites e fórmulas para lactentes

Indicações nutricionais específicas destinados aos lactentes durante os primeiros 4-6M. Indicado pela marca comercial escolhida seguido do número 1 (ex: NAN 1). Os leites/fórmulas para lactentes obedecem a uma composição de micro e macro nutrientes que procura aproximar-se do leite materno. Devem ter um baixo teor proteico, 1,8g/100Kcal.

Leites e fórmulas de transição

Géneros alimentícios com indicações nutricionais específicas destinados a crianças a partir dos 4,5-5M (NAN 2). Não é todavia obrigatório a introdução nesta idade, podendo o leite número 1 ser dado até aos 12M inclusive, desde que enriquecido com ferro. Diferem do leite de vaca essencialmente no conteúdo proteico e em ferro (20x superior), gordura, hidratos de carbono, outros minerais e vitaminas. De uma forma geral, contém mais proteínas, calorias e cálcio do que os leites 1. A sua riqueza em ferro e ácidos gordos essenciais justifica a sua utilização, pelo menos, até ao final do 1º ano de vida. Tem, no entanto, o inconveniente de conter uma elevada carga proteica comparativamente com o leite materno, condicionando sobrecarga metabólica.

Leites de crescimento ou de continuação

Qualitativamente sobreponíveis aos leites de transição, destinados a crianças dos 1-3 anos de vida. Oferecem relativamente ao leite de vaca algumas vantagens, nomeadamente, menor valor proteico, maior quantidade de ácidos gordos essenciais, maior quantidade de minerais como ferro e zinco e vitaminas, nomeadamente vitamina D.

Quer para as fórmulas para lactente quer para as de transição, o valor energético estabelecido oscila entre os 60-70 Kcal/100mL.

Riscos da utilização de leite de vaca:

  • Suprimento proteico elevado, 20-100% superior ao dos lactentes alimentados com leites 1 e 2, superior ao definido como limite de segurança de ingestão proteica;
  • Risco de anemia por carência de ferro;
  • Risco de alergia às proteínas do leite de vaca.

Leites específicos:

 

Leites acidificados

Composição muito semelhante ao leite para lactentes, caracterizam-se por serem enriquecidos em bifidus e fermentos lácteos, que favorecem o crescimento das bifidobactérias na flora intestinal. Tem também a vantagem da acidificação acelerar a digestão das proteínas, aumentar a acção da pepsina e favorecer a absorção do cálcio. Não estão, no entanto, especificamente indicados no decurso das diarreias.

Leites parcialmente hidrolisados (HA)

A alergia as proteínas do leite de vaca (APLV) tem uma incidência na infância de cerca de 2-3%, podendo ocorrer mesmo em lactentes alimentados com leite materno, embora em menor taxa. Os leites HA são leites, que, embora as proteínas sejam hidrolisadas, contêm ainda fragmentos com dimensões suficientes para induzir reacção alérgica em crianças sensibilizadas. As proteínas são parcialmente hidrolisadas pela acção combinada da hidrólise enzimática e do tratamento térmico com altas temperaturas, permitindo a degradação dos péptidos até um peso molecular de 5000 daltons. A restante composição é muito semelhante aos restantes leites.

Não são leites verdadeiramente hipoalérgicos, dado que não garantem a ausência de reacções em pelo menos 90% dos lactentes que os tomam com comprovada APLV. Alguns estudos evidenciam que os leites HA previnem alergia alimentar e doença atópica, mas não se recomendam em lactentes sem risco de atopia. Para prevenção das reacções adversas em lactentes com risco hereditário de atopia documentado (progenitor ou irmão), recomenda-se uma fórmula de mais reduzida alergenicidade, fórmulas extensamente hidrolizadas, contendo péptidos tão curtos quanto o possível para diminuir a alerginicidade das proteínas e tão longos quanto o possível para aumentar o seu valor nutricional.

Leites extensamente hidrolisados

Desprovidos de proteínas alergizantes (péptidos inferiores a 1500 daltons). É marcadamente reduziada a probabilidade de reacção em lactentes com APLV, embora não totalmente eliminada.

Dieta semi-elementar

Para lactentes com APLV ou outras reacções adversas a outras proteínas alimentares e síndromes de má absorção, fibrose cística, doença celíaca, está recomendada a utilização de fórmula extensamente hidrolisada sem lactose e com triglicerideos de cadeia média (dieta semi-elementar).

Excepcionalmente algumas crianças poderão apresentar alergia a estes hidrolisados, ou mesmo intolerância a múltiplas proteínas da dieta, preconizando-se nesse caso uma fórmula contendo aminoácidos livres.

Leites anti-regurgitação (AR)

O tratamento médico do refluxo inclui a utilização de fórmulas espessadas. A composição destes leites é semelhante ao leite para lactentes e de transição, residindo a diferença na composição dos hidratos de carbono, tendo o objectivo de serem mais espessos, o que se consegue com a adição de amido de milho, amido de batata ou farinha de semente de alfarroba. Esta última é acalórica, não metabolizada, podendo causar cólicas, diarreia e flatulência. Os amidos de milho, de arroz ou de batata, de pH neutro, tornam-se viscosos em pH ácido a 37ºC, proporcionados pelo meio gástrico, sendo bem tolerados. Estes leites têm maior teor de hidratos de carbono e menor em gordura, o que acelera o esvaziamento gástrico, contribuindo para a diminuição dos episódios de refluxo.

Não se recomenda o seu uso em lactentes com refluxo complicado por esofagite, devido ao risco de retenção da fórmula no esófago e possibilidade de aspiração.

Leites para recém-nascidos pré-termo (RNPT) ou recém nascidos com baixo peso

O RNPT é caracterizado pela imaturidade das suas funções vitais e dos sistemas reguladores enzimáticos, o que o torna mais sensível as situações de carência ou sobrecarga. O perfil de crescimento é diferente do registado no RN de termo, verificando-se um crescimento de recuperação particularmente evidente nos primeiros 2-3M de vida.

Na ausência do leite materno, os leites para estes lactentes devem garantir um crescimento semelhante ao observado in útero. A composição proteica é maior do que os leites para lactentes (3g/100Kcal), maior quantidade de ácidos gordos, de minerais (Na, P, Ca). O leite da mãe de RNPT, embora adaptado as necessidades destes RN, dado ser mais rico em proteínas e sais minerais do que o leite de mãe de RNT, necessita de ser suplementado.

Tem sido advogado o uso de fórmulas PDF (post-discharge formula) em lactentes com baixo peso nos tempos que se seguem a alta hospitalar. Apresentam maior carga proteica, mais macronutrientes, nomeadamente cálcio. Embora em alguns estudos se tenha registado um efeito benéfico no crescimento, particularmente nos primeiros meses de vida, não existe consenso no que respeita a evolução estaturo-ponderal e à composição corporal nos primeiros 18 meses de vida. Actualmente, os dados existentes, não recomendam as fórmulas PDF relativamente às fórmulas convencionais no momento da alta em RN com baixo peso, sendo recomendados apenas como suplementação nos RNPT.

Leites sem Lactose

Indicados primordialmente em situações de défice de lactase e diarreia aguda. Menor osmolaridade quando comparados com os leites para lactentes e de transição, mas igualmente seguros e eficazes em termos nutricionais.

Outros

Existem ainda leites AC (anti-cólicas) e leites AO (anti-obstipantes), apesar da eficácia destes leites não estar devidamente comprovada.

Aspectos práticos relacionados com alimentação com leite adaptado:

 O número de refeições diárias com leite desde o nascimento ate aos 12M varia entre 6-8 de inicio até 3-4, mais tarde. Nos primeiros 2M as refeições são tomadas ao longo de 24h, mas, a medida que o volume de refeição aumenta e a criança se adapta aos hábitos familiares, manifesta tendência para dormir mais horas seguidas de noite, período em que só se alimenta se acordar.

Necessidades hídricas do lactente:

0 – 4M: 150 mL/Kg

5 – 8M: 120 mL/Kg

9 – 12M: 110 mL/Kg

A preparação do biberão é feita com 30mL de água fervida por cada medida de pó (leite).

(Peso x Necessidades hídricas para a idade)/ nr de refeições com leite)/ 30 = Número de medidas de pó a utilizar

Ex.: lactente de 6M com 7Kg, que faz 5 refeições : (120x7)/5 =168 mL por refeição/ 30 = 5.6 medidas

Portanto, em cada refeição colocar primeiro no biberão a água fervida até aos 170 mL e adicionar posteriormente 6 medidas de pó (arredondado).

Não ultrapassar os 210-240 mL por biberão.

Se precisar de aconselhamento técnico ou de uma consulta médica, conte com a PT Medical.

 

  – Ana Fernandes Enfermeira –

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