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O Meu Filho Tem Febre

E Agora?

 

Introdução

A febre é uma das principais razões que fazem os pais recorrerem ao seu médico de família ou ao serviço de urgência.  De fato, é a manifestação mais comum de doença na idade pediátrica, definindo-se como um aumento da temperatura corporal acima da normal variação diurna.

Primeiro, é preciso perceber que a temperatura corporal varia ao longo do dia, varia de indivíduo para indivíduo e varia com a idade. Geralmente, oscila entre os 36 e os 37°C, de manhã, e perto dos 38°C, à tarde (temperatura rectal). A temperatura axilar apresenta valores mais baixos (cerca de 0,5°C em relação à oral e 1°C em relação à rectal).

Existem vários estímulos para o aparecimento da febre, sendo o principal a infecção. No entanto, também pode surgir associada a:

– Processos inflamatórios;

– Neoplasias;

– Traumatismos;

– Origem em causas psicológicas.

A febre não é uma doença! Tem valor como sinal de doença e não como doença em si própria; assim, sempre que possível, a causa da febre deve ser identificada e tratada.

A febre deve ser combatida?

A resposta a esta questão alterou-se ao longo dos tempos. Os patologistas ancestrais acreditavam que a febre era das defesas naturais mais importantes do corpo, pelo que era mesmo “encorajada” e procurada. Em meados do século XIX, a febre começou a ser olhada como prejudicial e o tratamento com antipiréticos (medicamentos que baixam a febre) foi considerado essencial.

Atualmente, defende-se a moderação no tratamento da febre, já que tem um papel importante na defesa contra a infeção e raramente dá origem a complicações. Vários processos envolvidos no combate à infeção têm maior actividade a uma temperatura acima da normal.

O tratamento da febre tem, assim, como finalidade única a prevenção das complicações associadas à hipertermia (convulsões febris e desidratação), ao mesmo tempo que proporciona mais conforto ao doente. Esta atitude de moderação aconselha o tratamento quando a temperatura axilar for superior a 38,0 – 38,5°C.

No entanto, no caso de ter história de convulsões febris ou epilepsia, o tratamento da febre poderá ser mais enérgica, ainda que a eficácia dos antipiréticos na prevenção da recorrência não esteja bem estabelecida.

Medidas Gerais para Lidar com a Febre

Devemos Agasalhar ou Despir a Criança?

Depende. Na subida da temperatura, quando a criança está com calafrios e extremidades frias, devemos aquecê-la (roupa, cobertor), após a administração do medicamento para controlo da febre. Quando há descida da temperatura e a criança começa a transpirar, há que permitir a libertação de calor, logo, retirar a roupa. No fundo, o importante é respeitar o que o próprio organismo “pede”.

Banho Frio, Quente ou Morno?

O arrefecimento por meios físicos (banho, toalhas) é discutível. A sua finalidade seria facilitar a mais rápida redução da temperatura corporal em alguns graus (de 40-41°C para 37-38°C). Logo, a fazer, o banho é à temperatura normal (37°C) e não deve ser superior a 10 minutos, para impedir que a evaporação faça baixar mais ainda a temperatura periférica.

As medidas físicas de arrefecimento devem ser sempre associadas à toma do medicamento, pois isoladas aumentam a conservação e produção de calor, pela vasoconstrição reactiva e pelos tremores que provocam.

Prevenir a Desidratação

Todos os estados febris condicionam perdas aumentadas de água, nomeadamente pela transpiração e também pela falta de apetite. Os pais devem estar à alerta para a necessidade de vigiar o estado de hidratação dos filhos, oferecendo-lhes líquidos com frequência, de acordo com a sua preferência. Relativamente à alimentação, os pais podem ficar tranquilos se a criança não quiser comer. É uma ocorrência extremamente frequente quando as crianças têm febre – a chamada anorexia febril.

Quando começa a haver melhoras, o apetite vai voltar ao normal e se a criança perdeu peso, irá recuperá-lo em pouco tempo. Não há, portanto, qualquer indicação para vitaminas ou estimulantes do apetite, em circunstâncias habituais.

Medicamentos, quais usar?

Febre - preciso de dar medicação?

Por ser um mecanismo de defesa  e raramente dar complicações, o tratamento da febre deve ser moderado, como já foi referido. Os medicamentos mais usados são o paracetamol e o ibuprofeno.

O paracetamol é o antipirético de escolha nos bebés e crianças. A sua eficácia e segurança foram bem estabelecidas em numerosos estudos clínicos e em mais de três décadas de uso. A dose recomendada é de 10-15 mg/Kg, cada 4-6 horas, até 5 vezes nas 24 horas.

Uma das maiores causas de intoxicação em crianças com idade inferior a 10 anos é a sobredosagem. A dose a administrar deve ser ajustada ao peso da criança e não à idade.

É preciso ter atenção à utilização de várias apresentações em simultâneo (supositórios mais xarope ou comprimidos, por exemplo), o que também pode conduzir a sobredosagem.

O ibuprofeno é uma alternativa eficaz ao paracetamol. Vários estudos têm demonstrado a eficácia e segurança de terapêuticas curtas de ibuprofeno nas crianças febris. A dose recomendada é de 5 – 10 mg/Kg/dose, cada 6-8 horas.

Existe evidência científica que mostra tolerabilidade e eficácia semelhantes de múltiplas doses de ibuprofeno (10 mg/Kg – 6/6 horas) e paracetamol (15 mg/Kg – 6/6 horas). Embora possam ocorrer reacções de hipersensibilidade, nomeadamente em doentes asmáticos, estudos recentes englobando pequenos lactentes e crianças asmáticas não mostraram riscos acrescidos de ocorrência de efeitos secundários com ibuprofeno em relação ao paracetamol.

O uso de ácido acetilsalicílico (Aspirina) como antipirético em crianças menores de 12 anos não está indicado, devido à possível associação com a síndrome de Reye, uma doença que pode ter um desfecho fatal.

Devo alternar o Ben-U-Ron e o Brufen?

A prática de prescrição, ao longo do dia, de doses alternadas de paracetamol e ibuprofeno tornou-se frequente nos últimos anos. Os profissionais que prescrevem este regime fazem-no por pensar que a probabilidade de baixar a febre é maior e o risco de toxicidade individual de cada um dos fármacos é menor. Os pais que o utilizam fazem-no devido à verdadeira «fobia» relativa à febre, que consideram ser necessário baixar a qualquer custo, mesmo que seja apenas algumas décimas.

Nenhum destes pensamentos é verdadeiro. 

Não há evidência científica de que a terapêutica antipirética alternando dois antipiréticos conduza a uma descida mais rápida da temperatura ou tenha uma maior eficácia do que qualquer dos agentes na dose adequada, isoladamente.

A terapêutica alternada com paracetamol e ibuprofeno pode ser confusa para os pais, levando a erros de dosagem e a um aumento do risco de toxicidade, visto que as doses de cada um são diferentes. Uma vez que ambos os fármacos são excretados pelo rim, a desidratação, mesmo ligeira, que acompanha muitas doenças febris das crianças, pode precipitar uma insuficiência renal, pelo efeito combinado de ambos os medicamentos.

O tratamento com um único medicamento deve permanecer a regra,  usando na posologia segura e eficaz. Apenas em situações pontuais e excepcionais poderá ter que se recorrer à utilização de dois antipiréticos diferentes, no mesmo episódio febril.

Quero um Antibiótico!

Ser que o meu filho precisa de antibiótico?

Os antibióticos servem para tratar infeções bacterianas. A febre não é sinónimo de infeção bacteriana. Aliás, as infeções víricas são muito mais frequentes que as infeções bacterianas nos bebés e crianças.

Portanto, se recorrer ao médico, ele vai colher a história da evolução da doença febril, realizar um exame físico e verificar se existe um foco de infeção bacteriana ou sinais de alarme. Caso não se verifique a existência de infeção bacteriana, o médico não irá passar o antibiótico, sendo a atitude mais correta mas muitas vezes a mais díficil, pela ansiedade demonstrada pelos pais.

Sempre que insistir com o médico para prescrever um antibiótico, lembre-se:

– A toma excessiva de antibióticos cria resistências nas bactérias, o que significa que quando o antibiótico for mesmo necessário, ele poderá não funcionar;

– Existe cada vez mais evidências que a toma de antibióticos nas crianças poderá estar associada ao aumento da obesidade infantil;

– Os antibióticos tem vários efeitos adversos. No caso da amoxicilina (um dos antibióticos mais prescritos), o aparecimento de diarreia é muito frequente;

– A toma de antibióticos aumenta a probabilidade de aparecimento de infeções fúngicas ou mesmo por bactérias resistentes ao antibiótico.

A maioria dos episódios febris é benigna e resolve-se espontaneamente em cinco dias. No entanto, convém estar atento aos sinais de alarme:

– Presença de sinais meníngeos;

– Dificuldade respiratória;

– Prostração;

Vómitos continuados;

– Desidratação;

– Mau estado geral;;

– Bebé com menos de 3 meses de idade;

– Febre com mais de 5 dias de evolução.

Se precisar de um médico ao domicílio, lembre-se da PT Medical. Sempre dispostos a ajudá-lo.

– Dr. João Júlio Cerqueira  Especialista de Medicina Geral e Familiar – 

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