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Papel do Exercício Físico na Depressão

Introdução

 

Na nossa sociedade existe cada vez mais a preocupação em viver melhor, não apenas mais tempo. E as doenças mentais são dos principais causadores de anos de vida saudável perdidos!

De entre as doenças mentais, o projecto Global Burden Disease demonstrou que a depressão é o problema de saúde mais incapacitante e que maior sobrecarga inflige em todo o mundo! (Saiba mais sobre depressão)

O custo de uma sociedade deprimida é, inegavelmente, elevado. Indivíduos deprimidos gastam cerca de uma vez e meia mais com a saúde do que os não deprimidos.

No entanto, sabe-se que quando são devidamente tratadas, 70% das depressões se resolvem completamente, 20% mantêm-se residuais e apenas 10% se tornam crónicas.

Porém, 80% dos indivíduos que sofrem um episódio de depressão terão pelo menos mais um episódio durante a sua vida, sendo esta taxa de recorrência superior caso se incluam episódios minor.

 

E o exercício físico, que tem?!

  Depressão e exercício físico - descubra as vantagens

Observou-se que indivíduos que não fazem exercício físico (sedentários) tinham uma maior prevalência de sintomas depressivos em comparação com indivíduos fisicamente ativos, tendo sido levantada a hipótese de que a realização de atividade física poderia ser uma arma para o melhor controlo desta doença.

De fato, a relação entre a actividade física e a depressão é bidireccional, ou seja, o sedentário tem maior risco de deprimir e o deprimido tem maior tendência a não praticar exercício físico.

Vários estudos foram levados a cabo nesta área e demonstrou-se, claramente, que a prática de atividade física, de modo regular, reduz os sintomas depressivos em todas as faixas etárias, desde jovens a idosos.

 

Mas eu já tomo antidepressivo, para quê o exercício?

  A farmacoterapia antidepressiva tem sido amplamente usada no tratamento da depressão.

Contudo, para além dos seus efeitos terapêuticos só serem observados cerca de uma a quatro semanas após a introdução do medicamento, cerca de 30% dos pacientes não respondem aos fármacos habituais e as taxas de cura, particularmente para a depressão major, são baixas.

Estes dados levaram à consideração de outras estratégias terapêuticas alternativas aos medicamentos antidepressivos, entre os quais se encontra o exercício físico.

Os estudos nesta área apresentam conclusões muito semelhantes.

Quando utilizados isoladamente,  os medicamentos são mais eficazes que o exercício físico na fase inicial. Mas após quatro meses de exercício físico, a eficácia de ambas as terapias mostrou-se equivalente na redução dos sintomas, apresentando taxas de remissão semelhantes.

Após estes quatro meses iniciais, caso haja abandono dos tratamentos, verifica-se que aqueles cujo tratamento inclui atividade física têm uma menor propensão para a recaída. Este dado é muito semelhante ao efeito do tratamento psicológico (psicoterapia) na depressão, em comparação com os medicamentos isoladamente.

Se associarmos a atividade física à medicação, as vantagens são claras, com uma redução dos sintomas mais precoce. (Conheça outras vantagens do exercício físico)

É preciso tanto tempo para fazer efeito?

  Quando os doentes já estão a tomar antidepressivo, o benefício da associação de exercício físico pode verificar-se ao fim de apenas 10 dias, com uma redução substancial dos níveis de depressão.  

Mas a minha depressão é mesmo grave…acho que isso não vai ajudar…

 

Os benefícios do exercício físico têm sido demonstráveis em todos os graus de gravidade da doença.

 

Eu nunca estive deprimido…não preciso disto para nada!

Mesmo em indivíduos sem doença psicológica, a realização de atividade física tem um efeito positivo na forma como o indivíduo perspetiva o seu bem-estar psicológico.

 

Então, quanto exercício preciso fazer?

 

A dose mínima recomendada é:

17,5 Kcal/kg/semana

 

Os indivíduos que atingem a dose mínima recomendada demonstram reduções dos sintomas mais significativas do que quem não atinge esta dose mínima.

Relativamente ao tipo de exercício, a maioria dos estudos recomenda o treino aeróbio para a redução da sintomatologia.

Embora os dados relativos aos efeitos do treino hipertrófico na depressão ainda sejam escassos, este tipo de exercício é recomendado por alguns autores, associado ao exercício aeróbico. A associação deve iniciar-se numa intensidade reduzida, aumentando de forma gradual.

 

O que preciso fazer para atingir os valores de 17,5 Kcal/kg/semana?

  Depressão - faça trinta minutos de exercício físico

O American College and Sports Medicine recomenda a realização de atividade física aeróbia de intensidade moderada por um mínimo de 30 minutos durante 5 dias da semana ou atividade física aeróbia de intensidade vigorosa num período mínimo de 20 minutos / 3 dias por semana.

Para maximização do efeito, a atividade pode ser complementada por trabalho de força dos principais grupos musculares, duas vezes por semana para cada grupo com 8-12 repetições de cada exercício.

Devido à relação dose-resposta entre atividade física e saúde, os indivíduos que desejam alcançar benefícios adicionais na melhoria da sua aptidão física e redução do risco de doenças crónicas, podem beneficiar com a realização de uma dose superior à mínima recomendada.

O exercício físico é claramente uma mais-valia 

Seja de forma isolada nas depressões ligeiras, seja em associação com a psicoterapia e medicamentos nas formas mais graves.

Fica a mensagem para quem está deprimido

Se continuar a repetir comportamentos, não espere resultados diferentes. Experimente iniciar uma atividade física regular e comprove os resultados!

Experimente o exercício físico para lidar com a depressão  

E caso precise de ajuda, consulte os nossos médicos e psicólogos …ou então, opte pela nossa consulta de psiquiatria para lidar com a depressão.

  – Dr. João Júlio Cerqueira Especialista de Medicina Geral e Familiar –

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