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Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

O que é Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção?

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) caracteriza-se pela hiperatividade, impulsividade e desatenção, tendo outras manifestações como:

  • Dificuldades relacionais;
  • Problemas de aprendizagem;
  • Falta de autoestima;
  • Desorganização;
  • Irresponsabilidade;
  • Grande ausência de autocontrolo relativamente aos mais variados aspetos da sua rotina escolar, social ou pessoal.

A PHDA é descrita como uma “ineficácia neurológica” na área do cérebro que controla os impulsos, avalia os estímulos sensoriais e foca a atenção.

Descobriu-se que há um menor grau de atividade nessa área do cérebro, no entanto, ainda não se sabe se tem significado ou não.

A doença parece afetar 2 a 5% das crianças em idade escolar,  sendo os rapazes 4 a 9 vezes mais atingidos que as raparigas.

Ser ou não ser PHDA…

PHDA ficao

Tem havido muita polémica à volta desta questão, principalmente desde que o chamado “pai da PHDA”, o Dr. Leon Eisenberg disse numa entrevista ao Der Spiegel que a “PHDA é uma doença fictícia”. No entanto, parece que a tradução do texto (de alemão para inglês) distorceu o significado das palavras do Dr. Leon Eisenberg.

Eisenberg estava cada vez mais preocupado com a relação económica entre a indústria farmacêutica e as perturbações sociais, onde se encaixava a PHDA. Defendeu que a motivação financeira das grandes empresas farmacêuticas levou a que houvesse um sobrediagnóstico da doença, tendo o seu trabalho sobre estas doenças contribuído nesse sentido.

Entre 1993 e 2003, o uso de medicação para tratamento da PHDA aumentou cerca de três vezes em todo o mundo.

Na Noruega, por exemplo, as vendas da Ritalina e Concerta (medicação utilizada para controlo da PHDA) aumentaram seis vezes entre 2002 e 2004!

De fato, o Dr. Leon Eisenberg parece ter razão.

Apenas uma minoria (cerca de 20%) das crianças que têm diagnóstico de PHDA apresenta um comportamento hiperactivo e cerca de 75% das diagnosticadas com PHDA têm critérios para outro tipo de doença psiquiátrica.

Cerca de 25-30% têm perturbação de ansiedade; 9 a 32% têm depressão;  45 a 84% têm perturbação de oposição; 44-55% dos adolescentes têm problemas de conduta. Défices de aprendizagem são encontrados em 20 a 40% das crianças diagnosticadas com PHDA.

Assim, é importante reter que a PHDA, sendo uma doença real, está claramente sobrediagnosticada…

Critérios de Diagnóstico (segundo o DSM-IV-TR, 2002):

Segundo a DSM-IV, a PHDA pode ser definida como:

A. 1) OU 2):

1) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de falta de atenção devem persistir pelo menos durante seis meses com uma intensidade que é desadaptativa e inconsistente em relação com o nível de desenvolvimento:

  • Não presta atenção suficiente aos pormenores ou comete erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras atividades;
  • Dificuldades em manter a atenção em tarefas ou atividades;
  • Parece não ouvir quando se lhe fala diretamente;
  • Não segue as instruções e não termina os trabalhos escolares, encargos ou deveres no local de trabalho (sem ser por comportamentos de oposição ou por incompreensão das instruções);
  • Dificuldades em organizar tarefas e atividades;
  • Evita, sente repugnância ou está relutante em envolver-se em tarefas que requeiram um esforço mental mantido (tais como trabalhos escolares ou de índole administrativa);
  • Perde objetos necessários a tarefas ou atividades (por exemplo brinquedos, exercícios escolares, lápis, livros ou ferramentas);
  • Distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes;
  • Esquece-se com frequência das atividades quotidianas.

2) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade e impulsividade persistiram pelo menos durante seis meses com uma intensidade que é desadaptativa e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

  • Movimenta excessivamente as mãos e os pés, move-se quando está sentado;
  • Levanta-se na sala de aula ou noutras situações em que se espera que esteja sentado;
  • Corre ou salta excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo (em adolescentes ou adultos pode limitar-se a sentimentos subjetivos de impaciência);
  • Tem dificuldade em jogar ou dedicar-se tranquilamente a atividades de ócio;
  • Com frequência “anda” ou só atua como se estivesse “ligado a um motor”;
  • Fala em excesso;
  • Precipita as respostas antes que as perguntas tenham acabado;
  • Tem dificuldade em esperar pela sua vez;
  • Interrompe ou interfere nas atividades dos outros (por exemplo, intromete-se nas conversas ou jogos).

B. Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou de falta de atenção que causam défices surgem antes dos sete anos de idade.

C. Alguns défices provocados pelos sintomas estão presentes em dois ou mais contextos (por exemplo na escola/trabalho e em casa).

D. Devem existir provas claras de um défice clinicamente significativo do funcionamento social, académico ou laboral.

E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante uma Perturbação Global do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outra Perturbação Psicótica e não são melhor explicados por outra perturbação mental (por exemplo, Perturbação de Humor, Perturbação de Ansiedade, Perturbação Dissociativa ou Perturbação de Personalidade).

Além dos critérios de diagnóstico dados pelo DSM-IV-TR para identificar a PHDA, é também de grande importância a entrevista clínica com os pais onde é recolhida detalhadamente a história de desenvolvimento da criança, o preenchimento de escalas de avaliação pelos pais e professores (questionário de Conners) e o exame físico para excluir outros problemas de saúde.

 

Intervenção na Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção

hiperatividade

Não existe nenhuma cura para a PHDA, mas existem estratégias psicopedagógicas, intervenção cognitivo-comportamental e medicação (pelo referido anteriormente, é muito importante que o diagnóstico seja feito por especialistas!) que ajudam a criança a lidar e controlar melhor a sua condição.

Tratamento Farmacológico

O tratamento farmacológico mais frequente é a prescrição de estimulantes (Ritalina, Concerta, etc), sendo fácil de administrar e com rápidos efeitos no comportamento que se quer modificar na criança.

A utilização de medicação na PHDA traz vantagens a curto prazo. No entanto, a intervenção psicológica é fundamental para a obtenção de resultados a longo prazo.

E como todas as medicações, comporta riscos. Poderá estar associada a problemas cardiovasculares, adição, perturbações psicóticas, síndromes de privação, perda de peso, entre outros.

Intervenção Psicológica

A terapia tem como objetivo:

  • Melhorar as relações sociais;
  • Diminuir os comportamentos disruptivos;
  • Melhorar competências académicas;
  • Promover a independência, o autocontrolo e a assertividade;
  • Melhorar a autoestima;
  • Permitir um desenvolvimento emocional mais harmonioso;
  • Impedir a evolução para comportamentos antissociais e de marginalidade.

A intervenção cognitivo-comportamental ajuda a que a criança desenvolva um conjunto de estratégias e competências que vão modificar os seus comportamentos.

Auto-Monitorização – Tornar-se capaz de avaliar e fazer o registo do seu próprio comportamento;

Auto-Reforço – Aplicar o seu próprio reforço que pode ser positivo ou negativo. Recompensas ou castigos devido ao seu comportamento.

Auto-Instrução – Estratégia que se destina a desenvolver competências de controlo do próprio comportamento.

Fixar RegrasÉ essencial a intervenção da família, com fixação de algumas regras para que a criança saiba quais são as suas tarefas, deveres e obrigações.

Tempo LimiteFixar um tempo limite para realizar determinadas tarefas é favorável para a criança. Assim, sabe o tempo que tem para a realizar, melhorando a concentração na resolução da tarefa.

Intervenção no Meio Escolar

Os professores têm um papel muito importante, devem ser compreensivos com a criança e as suas capacidades de aprendizagem. A criança deve ser acolhida na turma através de atividades de integração com os outros colegas. Deve ser trabalhado o lado mais sensível, emocional e criativo da criança.

Deve haver sensibilidade por parte do professor no que toca a capacidade da criança se manter no seu lugar. As crianças com PHDA têm uma grande necessidade de estar sempre em movimento em relação aos seus colegas.

Para estas crianças é muito difícil e por vezes impossível estar muito tempo atentas e concentradas numa tarefa, uma estratégia para manter a criança motivada é tornar as tarefas o mais interessante possível. Os trabalhos levados para casa também devem ter em conta as capacidades da criança.

O Exercício Físico e a Alimentação

As atividades como correr, andar a pé, de bicicleta ou praticar algum desporto mais estruturado ajudam a que a criança desgaste as suas energias e melhore a qualidade do sono. O período antes de ir dormir deve ser um momento mais tranquilo sem atividades de grande excitação, com uma rotina, para que a criança se tranquilize e seja mais fácil a hora de ir dormir.

A alimentação nas crianças com PHDA é algo muito importante. Devem ser restringidos os alimentos muito ricos em açúcar. É aconselhável ir a um nutricionista para possa adequar a alimentação diária à condição da criança.

Dicas para lidar com uma Criança Hiperativa:

1. Manter uma rotina diária ajuda a criança a manter a calma e a atenção, sabendo o que esperar;

2. Dedicar diariamente algum tempo de qualidade ao seu filho (ler histórias, passear até ao parque, fazer uma atividade que goste);

3. Evitar situações que causem tensão e frustração;

4. Definir pequenas metas a serem alcançadas. 

Não se esqueça que os comportamentos não se modificam da noite para o dia.

É preciso ter muita paciência e compreensão com a criança.

 

Se precisar do apoio de uma equipa de confiança, conte com a PT Medical.

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– Dra. Ermelinda Pires Psicóloga –

– Dr. João Júlio Cerqueira Especialista Medicina Geral e Familiar –

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