O que fazer em caso de Envenenamento

Sabe o que fazer em caso de envenenamento?

As opiniões dividem-se.

A PT Medical foi investigar as respostas da população que se dividiram entre: “devemos dar leite”; “devemos dar azeite para provocar o vómito”; “dar água” entre outras.

Será que isto é o correcto?

E você?

Sente-se preparado para atuar numa situação destas?

Envenenamento/Intoxicações

“Tudo é veneno e nada é veneno, só a dose faz o veneno.” – Paracelso Séc. XVI

Podemos definir veneno como qualquer tipo de substância tóxica (sólida, líquida ou gasosa) que possa produzir qualquer tipo de enfermidade, lesão, ou alterar as funções do organismo ao entrar em contacto com um ser vivo.

Vivemos rodeados de possíveis tóxicos que utilizamos constantemente nas nossas casas, locais de trabalho, etc.

É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital, devendo levar, se possível, amostras da substância (veneno).

A nossa casa está cheia de tóxicos

O contacto com o veneno/tóxico pode ocorrer através das formas mais variadas, ou seja, o tóxico entra no organismo através das seguintes vias:

  1. Digestiva – quando o tóxico é ingerido;
  2. Respiratória – quando o tóxico é inalado;
  3. Cutânea – quando o tóxico é absorvido pela pele;
  4. Picada de animal – quando o tóxico é o veneno libertado por um animal durante a picada ou dentada (ex.: víbora e lacrau – esporpião);
  5. Ocular – quando o tóxico atinge os olhos.

A gravidade da intoxicação depende de factores como:

  • Idade;
  • Susceptibilidade da vítima;
  • Quantidade;
  • Tipo de substância tóxica
  • Via de penetração.

Os idosos e as crianças são mais vulneráveis.

Vamos agora centrar a nossa atenção nas vias de envenenamento

Maneiras de ser sujeito a envenenamento

Via digestiva

As intoxicações provocadas por medicamentos são as mais comuns, seguidas de alimentos e produtos tóxicos.

Como exemplos de produtos tóxicos temos:

  • detergentes;
  • lixívia;
  • álcool puro;
  • amoníaco;
  • pesticidas;
  • ácidos (sulfúrico, clorídrico, nítrico, outros);
  • gasolina;
  • soda cáustica
  • etc…

Sintomas

  • Queimaduras ou manchas ao redor da boca;
  • Respiração ou hálito com cheiro estranho;
  • Salivação excessiva ou espuma pela boca;
  • Dor abdominal, náuseas, vómitos e diarreia;
  • Respiração anormal;
  • Arrepios e suores abundantes;
  • Tonturas, prostração, síncope (desmaio), agitação e delírio;
  • Tagitação ou apatia.

Como atuar em caso de intoxicação via digestiva?

  • Ligar para o Centro de Informações Anti-Venenos (CIAV);
  • Manter a via aérea livre e a vítima consciente. colocá-la em posição semi-sentada ou em repouso;
  • Se vítima insconsciente colocá-la em posição lateralizada (evitar aspiração do vómito) – veja a imagem abaixo;
  • Manter a vítima aquecida;
  • Se possível, recolher parte do vómito para análise;
  • Transportar a vítima rapidamente para o hospital.

Inicialmente vimos que muitas respostas à questão “o que fazer em caso de intoxicação” passavam por “dar de beber leite ou água ou azeite para vomitar”.

Bem, a máxima que a PT Medical vos quer transmitir é que mais vale nada fazer do que fazer errado.

O que não deve fazer?

  • Dar de beber à vítima pois pode favorecer a absorção de alguns venenos.
  • Provocar um vómito se a vítima ingeriu um cáustico; um detergente ou um solvente.

Porquê?

Situação 1

Imagine a seguinte situação: a sua criança ingeriu shampoo ou líquido da louça, o que irá acontecer se lhe der água? Exatamente, o estômago ficaria repleto de espuma e agravaria a situação da vítima.

Situação 2

Suponhamos que a vítima ingeriu lixívia. Ao descer pelo sistema digestivo a lixivia queimaria o esófago. Imagine que provocamos o vómito. O que iria acontecer? Ao descer a lixivia causou danos e queimou as paredes de órgãos internos ao subir faria exactamente o mesmo. Danos a dobrar!

Intoxicação álcoolica por via digestiva

Quando o indivíduo tem uma intoxicação etílica (por álcool) devemos dar bebidas com açúcar. É o único caso em que devemos dar algo à vítima de intoxicação via digestiva.

Apenas nestes casos, pois há risco de hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue).

Se o indivíduo estiver inconsciente colocar o açúcar sublingual (em baixo da língua).  Não dar com água, pelo risco de aspiração pulmonar.

Atenção! Não devemos dar banho de água fria a uma vítima de intoxicação por álcool. Este ato aumenta consideravelmente o risco de hipotermia!

Como prevenir

  • Não tirar os rótulos dos recipientes;
  • Não transferir comprimidos entre diferentes caixas de medicamentos;
  • Armazenar produtos químicos em prateleiras altas;
  • Não ter comprimidos fora do prazo de validade;
  • Não misturar produtos químicos uns com os outros.

Via respiratória

Geralmente os agentes tóxicos são:

  • Monóxido de carbono (veículos e incêndios);
  • Gás carbónico (fossas sépticas);
  • Óxido de carbono (braseiras);
  • Gás propano/butano (gás de uso doméstico).

Sintomas

  • Cefaleias (dores de cabeça);
  • Tonturas;
  • Náuseas;
  • Dificuldade respiratória;
  • Tosse;
  • Pele cianosada (azulada);
  • Inconsciência.

Como atuar?

  • Telefone para a emergência. Não tente salvar ninguém antes de notificar outras pessoas/serviços primeiro.
  • Se for seguro, tente resgatar a pessoa do local com gás ou vapores perigosos.  Entre na sala onde ocorreu o acidente e abra portas e janelas para remover os gases.
  • Volte para o exterior respire várias vezes ar puro, prenda a respiração e depois entre novamente. Se possível, segure uma toalha húmida junto encostada ao nariz e boca;
  • Não acenda fósforos ou isqueiros porque os vapores podem ser inflamáveis.
  • Depois de resgatar a pessoa, veja como ela está (respiração e pulso) e se necessário aplique os primeiros socorros, mas tenha cuidado! Observe se a roupa da vítima está molhada, pois muitos venenos inalatórios não têm cheiro e podem ainda estar a ser absorvidos pela pele.
  • Se a pessoa vomitar, limpe a via aérea. Coloque um pano à volta dos dedos antes de limpar a boca e garganta;
  • Mesmo que a pessoa esteja perfeitamente bem e consciente, chame ajuda!

O que não fazer:

Não se deve provocar o vómito. A indução do vómito só deve ser executada em condições controladas, com a vítima lúcida. Mesmo assim, são necessárias boas informações sobre os agentes tóxicos e isso nem sempre é possível

Além disso pense, numa situação de intoxicação via inalatória o veneno entrou para o sistema respiratório. O vómito acontece no sistema digestivo !! Ou seja, de nada adianta provocar esta situação.

Dar leite à vítima? O tóxico está nos pulmões, o leite vai para o esófago. A única vantagem é que o leite evita a desidratação da vítima.

Prevenção

  • Fechar o gás todas as noites;
  • Ao utilizar produtos de limpeza manter portas e janelas abertas;
  • Não misturar produtos de limpeza (principalmente cloro e amónia);
  • Não deixar o carro ligado em ambientes fechados.

Via cutânea (pele)

Como atuar:

Remover as peças do vestuário que estiverem em contacto com o tóxico e lavar a zona atingida pelo menos durante 15 minutos, com água corrente, fria.

Logo que possível contactar a emergência (CIAV).

Via ocular

Surge, geralmente, por acidente, quando um jacto de produto atinge os olhos.

Como atuar:

Lavar o olho atingido com água. A lavagem deve ser efectuada do canto interno do olho para o canto externo, e deve ser mantida durante 15 minutos.

Não aplique qualquer produto. Logo que possível contactar o CIAV.

A quem devo ligar para pedir ajuda?

O Centro de Informações Anti-Veneno é um centro médico de consulta telefónica na área da toxicologia, responsável pela prestação, em tempo útil, das informações necessárias e adequadas a profissionais de saúde ou ao público em geral, visando uma abordagem correcta e eficaz a vítimas de intoxicação. O número correspondente é:

808 250 143 

A quem recorrer após exposição a venenos

Todos os dias morrem no mundo 125 crianças vítimas de intoxicação.

Os idosos com problemas cognitivos também são cada vez mais vítimas deste tipo de situação.

Saiba estar preparado, a prevenção é o melhor remédio!

Em caso de dúvidas, contate a nossa equipa de enfermagem.

  – Bruna Silva Enfermeira – 

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