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Suplementos para a Osteoporose

Será que Funcionam?

 

Introdução

A nossa massa óssea é adquirida, quase na totalidade, até aos 20 anos de idade: entre os 20-30 anos atingimos o pico de massa óssea, que denominamos capital ósseo. A massa óssea vai diminuindo a partir dos 40-45 anos de uma forma contínua em ambos os sexos e, no caso da mulher, de forma mais rápida após a menopausa.

A Osteoporose caracteriza-se pela diminuição mais acentuada que o previsto da massa óssea, tornando os ossos vulneráveis a fraturas, principalmente fraturas do punho, colo do fémur e coluna vertebral.

Tendo em consideração que o risco de osteoporose aumenta com a idade, as recomendações internacionais aconselham o rastreio da osteoporose em mulheres com 65 anos ou homens com 70 anos. Até lá, apenas deverá ser realizado o exame de rastreio, que se chama densitometria, em casos excepcionais, quando existem vários fatores de risco para o aparecimento deste problema.

Apesar da densitometria óssea ser o exame utilizado para rastreio, foi desenvolvido recentemente um questionário (FRAX), que pode ser acedido aqui, e que parece dar de uma forma mais fidedigna o risco de um doente vir a ter uma fratura nos próximos 10 anos.

Quais são os fatores que aumentam o risco de ter osteoporose?

Existem muitos fatores de risco para o aparecimento da osteoporose. Por forma a simplificar, deixamos os mais importantes:

  • Idade superior a 65 anos;
  • Ser mulher;
  • Ser fumador:
  • Consumo de álcool excessivo (mais de 3 doses por dia);
  • Toma crónica de corticóides e anti-epilépticos;
  • Menopausa precoce (
  • Ter outras doenças osteoarticulares como a artrite reumatóide;
  • História de hipertiroidismo clínico;
  • Índice de massa corporal menor do que 19 kg/m2;
  • Fractura de fragilidade depois dos 40 anos;
  • História de fractura da anca num dos progenitores;
  • Hipogonadismo;
  • Hiperparatiroidismo primário;
  • Imobilização prolongada.

Existe tratamento para a osteoporose?

Existem vários medicamentos para tratar a osteoporose, no entanto, é necessário ponderar bem os riscos e os benefícios da sua utilização.

Muitos desses medicamentos comprovaram a sua “eficácia” demonstrando que, ao longo do tempo, quem toma o medicamento vai ficando com uma melhor densidade óssea.

No entanto, para o médico e para o doente não interessa se a densidade óssea é maior ou não. Interessa se estes medicamentos diminuem ou não o risco de fraturas. Um osso pode parecer mais denso, mais saudável, e não sê-lo.

Vamos analisar os principais medicamentos no mercado para o tratamento da osteoporose.

Vitamina D e Cálcio

A vitamina D e o cálcio são dos suplementos mais vendidos no mundo.

A vitamina D aumenta a absorção de cálcio a nível do intestino e tem um papel fundamental na sua deposição no osso. No entanto, apenas demonstrou benefício na redução de fraturas a sua utilização em idosos institucionalizados (que vivem em lares ou casas de repouso, por exemplo). Nas pessoas autónomas, que conseguem realizar as suas atividades no dia-à-dia, a vitamina D parece não ajudar na diminuição do risco de fraturas.

Mais informação aqui.

Por outro lado, o cálcio é a matéria-prima fundamental para a construção do osso. Seria de pensar que tomar suplementos de cálcio levaria a um osso mais forte…no entanto, não é bem assim…No final de 2010, existiam 14 estudos científicos de grande amostragem (cada um com mais de 1000 participantes), que tentaram perceber se a suplementação de cálcio, vitamina D ou os dois combinados diminuíam o risco de fratura. Três dos estudos revelaram uma diminuição do risco, nove não mostraram qualquer efeito e dois estudos demonstraram mesmo um aumento do risco de fratura!

No final de 2010, existiam outros 24 estudos, com amostras de menor tamanho. Vinte e um desses estudos não conseguiram demonstrar que o cálcio e a vitamina D diminuem o número de fraturas.

Pode aceder a mais informação aqui.

Além disso, toma excessiva de cálcio está associada a problemas cardiovasculares e aumenta o aparecimento de litíase renal (pedras nos rins).

Bifosfonatos

São os fármacos mais utilizados para combater a osteoporose. Impedem a reabsorção do osso e desta forma aumentam a sua densidade. No entanto, no doente que apenas tem osteoporose, mas nunca teve fraturas, a sua vantagem é questionável…este medicamento apenas demonstrou uma diminuição marginal de fraturas a nível da coluna vertebral, sem alteração no número de fraturas do colo do fémur ou outro tipo de fraturas (mais informação aqui).

Na pessoa com osteoporose e que já teve uma fratura prévia, parece existir benefício em utilizar este tipo de fármacos. No entanto, este tipo de fármacos não devem ser utilizado por mais de 5 anos, segundo as recomendações internacionais.

E o Calcitrin, é diferente?

Esta é a  descrição do produto disponível no site do Calcitrin:

“Calcitrin MD é um suplemento alimentar para a maxima protecção e renovação articular e óssea, contêm 60 comprimidos de 1.400 mg. Ajuda a consolidar os respectivos sistemas articulares e ósseos. Constituído por um complexo de minerais para reposição e fixação do cálcio nos ossos. Calcitrin MD é usado na prevenção da osteoporose, fragilidade óssea, no fortalecimento do esqueleto, e na saúde articular e óssea em geral.
(…) Contêm Cálcio, Magnésio, Vitamina D3, Carbonato de Magnésio, Fosfatos de Cálcio. Sulfato de Condroitina.”

Já falamos do Cálcio e da Vitamina D. Vamos falar do Magnésio…

O último grande estudo científico que agregou a evidência da utilização de magnésio no tratamento da osteoporose, relata que “a evidência poderá indicar um benefício da sua utilização (…). No entanto, a sua utilização excessiva levou a maior incidência de fraturas do punho…a sua utilização poderá ser prejudicial para o metabolismo ósseo e para a função da glândula paratiróide (importante na regulação do metabolismo do osso), levando a defeitos na mineralização.” óssea.

Mais informação aqui.

Ou seja…neste momento, é questionável tomar magnésio com o objetivo de reforçar o osso e diminuir o número de fraturas…pelo contrário, se tomarmos magnésio em excesso, poderá ser prejudicial para o osso.

E o Sulfato de Condroitina? Será bom para o osso?

Não há qualquer evidência de que a condroitina diminua a progressão da osteoporose – não existe sequer um mecanismo fisiológico plausível para que isso aconteça. A condroetina, assim como a glucosamina, têm sido estudados no sentido de retardar a evolução da osteoartrose e diminuição da dor articular…iremos fazer um artigo inteiramente dedicado a este tema. No entanto, para quem toma este tipo de suplementos, adianto já a principal conclusão…não vale a pena investirem o vosso dinheiro neste tipo de produtos.

E o Cálcio +? É diferente?

Primeiro, vamos ver qual é a composição do Cálcio +. Segundo o site do Cálcio +, este “medicamento” é composto por:

“Carbonato de Cálcio 750 mg (300 mg de cálcio); Óxido de Magnésio 125 mg (75 mg de magnésio); Vitamina D3 3 mg (7,5UI de vitamina D3). Sulfato Glucosamina 600 mg; Sulfato Condroitina 100 mg; Extrato de Harpagophytum 50 mg.”

Destes componentes, apenas não abordamos o Extrato de Harpagophytum, também conhecido como unha-do-diabo: uma planta com propriedades anti-inflamatórias. Não existe qualquer evidência de melhoria da densidade óssea ou diminuição da progressão da osteoporose.

Em 2014 foi feito uma revisão dos estudos científicos sobre as ervas medicinais para o controlo das dores lombares. Apesar deste tipo de plantas, incluíndo o Extrato de Harpagophytum se apresentarem mais eficazes que o placebo, a qualidade dos estudos realizados era baixa e, segundo os autores, serão necessários mais estudos científicos para concluir se este tipo de produtos será ou não eficaz.

Mais informação aqui.

Tendo em consideração a panóplia de medicamentos existentes no mercado com eficácia comprovada no tratamento da dor, parece ser pouco vantajoso gastar o nosso dinheiro neste tipo de solução de eficácia duvidosa.

Então o que fazer para prevenir esse problema?

Não existe nada mais eficaz e importante que um estilo de vida saudável para prevenir ou diminuir a progressão deste problema. Não fumar, não beber em excesso, fazer exercício físico e ter uma alimentação equilibrada.

Na osteoporose, o exercício físico tem um papel fundamental, principalmente o exercício físico com carga leve a moderada, sendo mais eficaz que todas as medicações faladas anteriormente.

Mais informação aqui.

Além disso, é importante perceber que o principal inimigo dos doentes com osteoporose são as quedas. Talvez seja mais útil e menos dispendioso aprender a preveni-las.

Se tiver dúvidas ou precisar de ajuda, nós vamos ter consigo!

E se precisar de apoio permanente, também estamos cá para apoiá-lo.

– Dr. João Júlio Cerqueira  Especialista de Medicina Geral e Familiar – 

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