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Introdução

As benzodiazepinas são medicamentos usados para o tratamento de ansiedade e problemas do sono, aquilo a que geralmente se referem quando falam em “calmantes”. Estamos a falar de fármacos como o Diazepam (Valium), o Alprazolam (Xanax); O Loflazepato de etilo (Victan); o Bromazepam (Bromalex/ Lexotan); o Lorazepam (Lorenin); o Estazolam (Kainever) Como já reparou o nome das substâncias deste grupo termina com “AM”…

São fármacos muito eficazes no controlo dos sintomas de ansiedade e no tratamento de problemas de sono, no entanto, causam dependência.

Uma dependência é um estado em que se torna necessária a toma contínua do fármaco para impedir o aparecimento da síndrome de abstinência (“ressaca”).

A questão da dependência psicológica é também fulcral e igualmente problemática: noção de que não é possível adormecer ou ter um dia normal sem tomar estes comprimidos é muito comum.

O consumo destas substâncias na população portuguesa é extremamente comum. A Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes, em 2011, fez um relatório acerca do consumo de substancia lícitas. De resto, o próprio INFARMED também vai acompanhando o consumo destas substâncias em Portugal.

Benzodiazepinas para problemas do sono: 18  em cada 1000 habitantes.

Já viu que, em 10 milhões de habitantes, há 180 000 portugueses a tomar estes medicamentos a cada dia, não é? Somos o 13º numa série com mais de 130 países do mundo…

Benzodiazepinas para controlo da ansiedade – 104 em cada 1000 habitantes.

Ocupamos o 2º lugar no mundo! Quase o dobro da Espanha. Mais do dobro da Itália – por exemplo – e cerca de 4 vezes mais do que a Grécia!!

Perante estes números, como é que se combate este problema?

A ideia-chave não passa pelo combate às BZD. Simplesmente, como qualquer outra medicação, as BZD estão indicadas em situações específicas. Mas é tão importante como saber introduzir a medicação é saber quando parar.

Para se ter uma ideia, a Direcção geral de Saúde estabelece que, para o tratamento da Ansiedade, o consumo não pode exceder as 12 semanas, já com a fase de descontinuação incluída, que basicamente é a retirada gradual do medicamento para que o doente não sinta a falta da substância.

Para o tratamento da Insónia, este período é de apenas 4 semanas! Mas na prática clínica, não raramente, temos doentes que pedem estes medicamentos junto com a restante medicação crónica! Muitos deles afirmam que já nem conseguem dormir sem o comprimido. E, por vezes, não só não dormem, como ficam ansiosos. É este o problema!

Há que perceber também que as benzodiazepinas, embora úteis, apenas mascaram os sintomas, não tratando a causa que está na base. E sem tratar a causa, o problema arrasta-se ao longo do tempo.

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Seria possível evitar a toma destes fármacos, de forma tão prolongada?

Na maioria dos doentes, sim! E evitaríamos muitos problemas. Estes medicamentos têm efeitos indesejáveis! Se não tivessem, tudo seria mais simples. Estamos a falar, por exemplo:

– De alterações da memória – as BZD alteram o padrão normal do sono e o sono é fundamental na formação das memórias…além disso, provocam a amnésia anterógrada, incapacitando o doente de formar novas memórias após a toma do medicamento;

– Problemas na coordenação motora;

– Sonolência durante o dia;

– Confusão;

– Alterações do trânsito intestinal;

– Além do aumento comprovado do risco de quedas e fraturas e dos acidentes de viação, que não devem ser desprezados, como é óbvio.

Prescrever um comprimido que alivia as queixas é comodo, mas pensar nos riscos e nos benefícios é sempre mais importante. O médico e o doente devem ter uma boa relação e uma boa conversa. No final desta conversa haverá sempre uma melhor compreensão do problema e alternativas válidas – alteração dos estilos de vida, psicoterapia, fármacos alternativos sem estas características…o leque de opções não é pequeno.

E aqueles doentes que já começaram a tomar a medicação há muito tempo?

Há inúmeras formas de abordar o problema.

Para aqueles doentes que tomam esta medicação há muito tempo, importa perceber os sintomas que surgem quando por acaso não a tomam (ou porque não tinham comprimidos em casa, ou porque se esqueceram por algum motivo). Queixas como a ansiedade, as dores de cabeça, as dores musculares, a inquietação, a confusão ou a irritabilidade quando a medicação não é tomada, tornam a hipótese de dependência muito real.

Nesses casos, após uma conversa em que a situação é explicada, com a ajuda do doente, a eventual dependência pode ser resolvida e a verdadeira causa dos sintomas que levaram à toma dos medicamentos, inicialmente, também pode ser identificada e corrigida.

Numa primeira fase, muitas vezes, altera-se a Benzodiazepina que toma por outra de mais fácil abandono, fazendo a ponte e depois retira-se gradualmente até não tomar nada ou até o doente estar apto a começar do zero com acompanhamento psicoterapêutico ou com outras substâncias sem estes inconvenientes de que falamos. Parar a medicação de forma abrupta não é aconselhável, nestas situações.

Conselho final

O melhor conselho que podemos dar é: se toma este tipo de medicamentos, deve questionar o seu médico acerca do risco de dependência. Além disso,  é importante aprendermos a lidar com a perturbação de sono sem recorrer a tratamentos farmacológicos.

Se ele considerar que o abandono da medicação é a melhor opção, terão um sinal de que os riscos já ultrapassaram os benefícios há muito tempo. Algo precisa mudar.

E se necessitar de ajuda na remoção deste tipo de medicamentos, a nossa equipa está ao seu dispor.

É cuidadora de uma pessoa com este problema? Tire alguns dias de descanso.

O medico explica radio4

– Dr. João Júlio Cerqueira  Especialista de Medicina Geral e Familiar – 

– Dr. Nuno Silva  Especialista de Medicina Geral e Familiar – 

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